Cães de Chernobyl mostram diferenças genéticas após isolamento populacional
Data de Publicação: 28 de agosto de 2025

Trinta e nove anos depois de uns dos maiores incidentes nucleares do mundo, cientistas ainda investigam os efeitos da explosão do reator 4 de Chernobyl. Em 1986, uma falha liberou no ar materiais radioativos como Césio-137 e Iodo-131, além de metais pesados, chumbo e amianto. O desastre forçou a evacuação de milhares de pessoas e deixou para trás centenas de animais expostos a um ambiente altamente contaminado.
O solo continua impregnado por substâncias de longa duração, como o césio e o estrôncio, além de traços de plutônio e urânio. Essas partículas liberam radiação capaz de alterar moléculas dentro das células, retirando elétrons e fragilizando as estruturas químicas que compõem o DNA. Quando isso acontece, aumenta a possibilidade de falhas genéticas e mutações.
Entre 2017 e 2019, pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte e da Universidade Columbia coletaram sangue de mais de 300 cachorros que viviam em diferentes áreas próximas da usina. O objetivo era entender como esses animais sobreviveram por tantas gerações.
Os primeiros resultados, publicados em 2023 na Science Advances, mostraram que os cães mais próximos do reator (15 km) eram geneticamente distintos dos que viviam mais longe (45 km). Esse grupo estava isolado, formado por poucas famílias e com alta consanguinidade. Foram identificadas mais de 390 regiões do genoma ligadas a processos químicos como reparo do DNA e controle do ciclo celular, fundamentais para corrigir danos provocados pela radiação e reduzir riscos de doenças como o câncer.
No entanto, novos estudos publicados em 2024 na revista PLOS One apontaram que essas diferenças não poderiam ser atribuídas diretamente à radiação. O isolamento populacional e o pequeno número de cães que sobreviveram logo após o acidente parecem explicar melhor os resultados. Os cientistas também destacaram que outras substâncias tóxicas, como chumbo e amianto, podem ter influenciado a saúde desses animais.
Para a química, Chernobyl segue como um exemplo de como agentes físicos e químicos interagem com sistemas biológicos. Compreender esses efeitos ajuda a avaliar riscos à saúde humana em futuros desastres ambientais.
Fonte: Superinteressante e National Geographic
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